Equipe de produção de vídeo faz primeiro contato

Confusão e ansiedade se juntaram à sensação incrível de conhecer os adolescentes pela primeira vez. As carinhas, tomadas pela curiosidade, nos observavam através da janela da sala de aula. Mas foi na pequena e quente sala da Biblioteca que nos observamos direito de forma inédita. Com todos os universitários sentados, foi preciso uma bronca do professor Molina para percebêssemos que aquelas cadeiras, aquela escola, aquela história, eram deles, não nossas.

Entretanto não havia calor ou aperto que tirasse o valor de ver os rostos deles, antes cansados e perdidos, agora calmos e decididos, se abrirem em sorrisos ao saberem o que estavam prestes a experimentar. À medida que o professor Pedro explicava a divisão dos grupos, eles se entreolharam com olhos arregalados de dúvidas, mas com entusiasmos. Alguns tinham certeza do que queriam, outros precisaram pensar muito. No final, os grupos de fotografia e de design foram os mais procurados. E o menos? O grupo de vídeo.

Ainda assim, terminamos com seis alunos muito simpáticos que parecem estar animados com a ideia de aprender sobre vídeo. Talvez ainda mais animados com a ida até à UnB, lugar que somente uma das crianças não conhecia, pelo menos por enquanto. Aproveitamos a conversa para dar nosso próprio testemunho de que a universidade é uma conquista possível. Contamos como ingressamos nela e o que achamos da jornada até aqui.

Mas a conversa inicial não foi nada sobre nós. Decidimos começar com uma dinâmica que estimulava os alunos a pensarem em histórias e personagens. Cada um de nós ficou olho no olho com um deles e tentou criar um perfil com nome, idade e gosto pessoal para o outro, e vice-versa. Entre erros, acertos e risadas, até o nome da Larissa foi adivinhado, como se os conhecêssemos há meses. Além dela, se juntavam ao grupo a Camile, o João Paulo, o Ygor e dois Victors, todos entre 13 e 14 anos.

Logo depois, queríamos descobrir o que eles gostavam de verdade e o que mais os entusiasmavam. Deixamos que nos contassem sem qualquer jogo, e terminamos desvendando uma diversidade imensa de interesses: música sertaneja (Mateus e Kauan especificamente), futebol, dança, queimada, dormir a tarde toda, banhar no rio e assistir canais no YouTube. Eureka! Já sabíamos por onde começar.

Sobre o que eles gostam de assistir na rede, surgiram temas como videogames, clipes de dança, vídeos de carros e caminhões, viagens, vlogs e até mesmo trolagens com os amigos. É, não teremos pouco trabalho não!

Além de tudo, achamos engraçado como eles pareciam estar divididos em duplas dinâmicas: a cada dois alunos, encontramos o mesmo gosto para vídeo, para matérias na escola, para se divertir e para o sonho. Estivemos cara a cara com futuros médicos, advogados e engenheiros. Uma estratégia seria aproveitar o reconhecimento entre eles para formar equipes de produção que podem ir muito além dessa oficina.

No final do dia, ficou para nós o dever e o desejo de prepararmos a melhor oficina que podemos. Para eles, ficou um pequeno dever de casa: trazer um vídeo ou canal do YouTube que eles amariam poder fazer igual.


 Participam da equipe: Carlos Augusto Xavier, Júlia Mundim, Marina Machado, Matheus Griecco, Natália Alves, Neurilene Costa, Vitor Gabriel