Estradas, aventuras e escolas

Por Jaques Lucas Cavalcanti

A primeira parada da nossa visita foi na Marcenaria Guimarães, o único comércio local de uma das 14 comunidades do bairro de Lobeiral. Nossos colegas compraram dois litros de refrigerante e distribuíram copos para que todos pudessem beber. Em seguida, foram para o ônibus rumo a próxima parada – a Escola Classe Lobeiral. Entretanto, eu e uma amiga, permanecemos um pouco mais na mercearia, entrevistando a filha do dono do estabelecimento, Bruna, de 20 anos.

A jovem nos contou que fazia pedagogia em uma universidade próxima e que a ideia da mercearia surgiu com o intuito de atender à demanda populacional das redondezas. Segundo ela, os produtos mais procurados pelos moradores eram arroz e refrigerante. O objetivo de Bruna é se formar na universidade para poder trabalhar na escola em que estudou quando criança. Depois de nos despedirmos, percebemos que nosso grupo já tinha ido embora. Fomos andando no meio do deserto até a escola mais próxima para ver se eles estavam lá. Porém, para fazer o caminho a pé era muito distante, foi então que fizemos sinal para um caminhão que passava e o motorista nos disse para subir na caçamba. Fomos de carona (quase caindo) até a escola, só para descobrir que nossos colegas nem tinham passado por lá. Pelo menos teve uma vantagem, conseguimos encher nossas garrafas de água (completamente hidratados). Mandamos mensagem para o Pedro Ponei e ele veio em nosso socorro. Fim da primeira aventura.

O resto do dia foi sem mais fortes emoções. Chegamos à Escola Classe Lobeiral e logo fomos conversar com os funcionários e os professores. Descobrimos que a escola possuía um total de 530 alunos, nos três turnos de funcionamento. A quadra coberta, por exemplo, principal espaço de lazer e sociabilidade estudantil só havia ficado pronta em 2012. Nenhuma das salas de aula possuía ar condicionado, somente ventiladores, mas nem todos efetivamente funcionando. A evasão escolar é muito grande e acontece principalmente no segundo semestre letivo, sendo as meninas as mais afetadas, devido à gravidez na adolescência. Há casos de meninas grávidas já na 8ª série.