Um dia de campo

3 19Por: Maria Eduarda Martins e Neyrilene Costa

O deslocamento dos alunos e professores se deu por meio de um ônibus fretado pela Universidade de Brasília (UnB), tal condução foi uma incógnita até horas antes da partida, já que devido à crise financeira da universidade, esse tipo de serviço está em risco e sendo cortado.

A visita à Fercal ocorreu em dois locais principais: a Rua do Mato e o Engenho Velho. A Rua do Mato se originou com a fusão de duas famílias: uma baiana e uma goiana. Atualmente, há um Centro Comunitário para facilitar as relações da comunidade, cujo o presidente é o seu Erasmo, que é descendente dessas famílias. No Centro Comunitário há livros e computadores para o uso dos moradores, no entanto, por falta de conhecimento na área de informática, os aparelhos ficaram parados por cerca de 8 anos. Recentemente é que o sinal de internet chegou ao local, porém o seu Erasmo aponta que nem todos os computadores conseguiram acessar a rede.

Além disso, os sobrinhos do seu Erasmo desenvolveram o projeto “Moldando o futuro” que treina futebol com as crianças e jovens do local três vezes por semana. O projeto começou com 16 crianças e agora já possui 112, porém ainda enfrenta problemas, como a má iluminação do campo de futebol (cedido) localizado atrás do Centro Comunitário. Os moradores estão planejando a iluminação do local.

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Alguns outros problemas estruturais pontuados pela articuladora da Secretaria de Segurança a respeito da Rua do Mato são: o transporte público é escasso, passando três vezes por dia e com destinos pontuais; a água é fornecida pela própria comunidade e em razão da crise hídrica as nascentes estão em baixa; há escola pública para crianças, mas a quadra utilizada é privada e apenas cedida à escola; o posto de saúde possui médico e dentista apenas uma vez por semana, além disso, por ser literalmente uma rua, quando há campeonato de futebol não há onde os carros estacionarem e a passagem fica obstruída. Observou-se também a falta de sinal de celular em algumas operadoras. A atual população da Rua do Mato gira em torno de 300 famílias e cerca de 90% trabalha nas fábricas de cimento. A escola situada na região atendo somente crianças do ensino fundamental, sendo assim as mais velhas vão, geralmente, para Sobradinho para concluir os estudos.

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No segundo lugar visitado o Engenho Velho se localiza a parte mais “urbana” da Fercal, com variedades de comércio e com os principais órgãos públicos, como a administração regional. Por sorte, o Administrador estava no local e nos repassou informações importantes. Segundo ele, a Fercal possui 13 comunidades urbanas e 2 rurais, e é considerada a “cidade do futuro” devido o potencial turístico e esportivo que possui, além disso, a Fercal possui a segunda maior arrecadação do Distrito Federal, uma vez que, as três principais fábricas de cimento se localizam nesta região. No entanto, essa arrecadação não é devolvida diretamente para a Fercal, mas dividida entre as regiões administrativas de acordo com o colégio eleitoral, e por esse fator, a comunidade local é totalmente prejudicada já que tornou-se independente de Sobradinho a pouco tempo e os registros do governo são desatualizados. Segundo os dados oficiais, a Fercal possui 10 mil habitantes e 6 mil eleitores, no entanto, segunda uma pesquisa particular da administração, há 40 mil habitantes, mas a maioria vota em Sobradinho, então, os recursos concedidos são desproporcionais a real população.

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Ao longo da visitação pode-se perceber os contrastes entre as paisagens. Enquanto no meio do Engenho Velho há asfalto, poucos metros dali não. Foi visto também em um bairro esgoto a céu aberto, casas bem simples além de um córrego com sujeira e baixo nível de água.

População

Os moradores da região se mostraram bem simpáticos e curiosos. Todos os olhos foram voltados para os estudantes que ali passaram. Algumas pessoas até perguntaram se não éramos político, explicamos que nossa relação com o lugar estava longe disso. A população é bem simples e a região tem um ar de interior que passa uma tranquilidade por quem ali passa. As pessoas nas ruas eram de todas as idades, crianças, jovens, adultos e idosos. Grande parte deles ficavam em praças ou pontos de encontros.

Naqueles lugares, os estudantes de ComCom puderam também ter um contato com a natureza, as curvas e formas das montanhas. Além de colocarem os pés na área e respirar novos ares e até se refrescar num riachinho.

Numa primeira análise da Turma de Comunicação Comunitária, observa-se o grande número de jovens nas ruas da Fercal, a paixão local por futebol e um ecoturismo em potencial que não é utilizado. Agora, a missão da turma é decidir qual o Projeto de Comunicação que será desenvolvido ao longo do semestre com essa comunidade.

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